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sexta-feira, agosto 22, 2008

Dia 5 Key West, FL – Dry Tortuga – Key West, FL



Acordámos antes da 07:00. Este era o único dia em que tínhamos um programa reservado com alguma antecedência. Key west fica no extremo sul da Florida, mas, (e existe sempre um mas) queríamos mais qualquer coisa, algo que à partida marcasse inevitavelmente as férias. Uma rápida pesquisa na Internet e, voilá! Uma ilha a 2:30h de Key West em direcção ao Golfo do México. As Dry Tortuga constituem uma área de reserva do parque nacional e, para os mais interessados existem pelo menos duas companhias a efectuar os trajectos de barco a cerca de 120 dólares por pessoa (um programa de um dia). Levamos o essencial: óculos de mergulho, tubo, barbatanas, toalha de praia, protector solar (devia ter sido mais forte…) e água doce porque o nome “Dry” deve-se à inexistência de água doce na ilha. Durante a viajem vimos dezenas de pequenas ilhas e fomos sempre com atenção para tentarmos ver tubarões, golfinhos ou tartarugas – sendo que acabamos apenas por ver peixes-voadores mas foi o suficiente para ganharmos a viagem.

As ilhas tornam-se especiais pela presença inesperada de um forte militar com uma dimensão colossal perante a pequena extensão de areal que o envolve. O projecto ambicioso e algo megalómano faria parte da defesa americana para o Golfo do México. Acabou por nunca ser utilizado mas a sua presença é marcante e, á boa maneira americana, souberam transforma-lo numa importante atracão turística. A presença de pessoas na ilha é limitada diariamente e quem vai tem que obrigatoriamente regressar ao final do dia, ficando apenas alguns sortudos que consigam autorização para uns dias de campismo selvagem. Antes do tão esperado mergulho optamos por visitar o forte (Fort Jefferson), mas confesso que a ansiedade de entrar dentro de água quase nos levou a ignorar a visita guiada…e, sinceramente, quando o guia começou a dizer mais de 3 humm e hãaam por frase, decidimos que iríamos fazer a nossa própria visita guiada com a ajuda das placas informativas espalhadas pelo forte. E assim foi. Visitamos o forte e ficámos particularmente impressionados com o sistema de recolha das aguas pluviais para armazenamento em de cisternas subterrâneas (simples mas muito eficaz) mas, quando chegamos ao farol, a vista sobre a área envolvente fez-nos precipitar pelas escadas abaixo e tudo o que queríamos era entrar naquele mar azul turquesa. Comemos rapidamente a bordo da embarcação antes que toda a gente regressasse para almoçar e entramos dentro de água…e já não queríamos sair. Água quente e transparente. Muitos peixes de diferentes cores e tamanhos (os maiores chegavam a meter respeito…). Haviam cardumes nos quais era possível nadar sem que o cardume se separasse (mas que experiência!). Barracudas, chocos, corais, peixes papagaio, castanhetas, etc, mais tudo o resto que não sabemos o nome e, quando espreitávamos fora de água tínhamos imensas aves a voar sobre nós. Foi mesmo um momento especial.

Cumprimos o horário do barco mas devemos ter embarcado no último segundo. Custou-nos deixar a ilha onde o tempo realmente parecia ter parado. Mas a viagem de regresso reservava-nos algumas surpresas e vimos tartarugas no regresso a Key West. Aliás, a Mafas até viu tartarugas bebés mas como foi a única, o avistamento de tartarugas bebés neste percurso permanece um mito no qual só ela acredita!

P.S. Já em Key West não deixamos de ir comer um belo hamburger ao Sloppy Joe´s, o bar favorito de Ernest Hemingway!

MC, RP





















quinta-feira, agosto 21, 2008

Dia 4 Dania Beach, FL - Key West, FL

Decidimos que iríamos para as Florida Keys pela estrada que fosse mais junto ao mar. E lá fomos. Problema: sempre que víamos o mar queríamos dar um mergulho. Começamos em North Miami e terminamos em Miami Beach (e só não foram mais mergulhos porque o condutor dessa manhã mostrou-se muito decidido a atingir as keys e ignorava alguns dos pedidos para parar em mais sítios para irmos a banhos!). Os locais por onde andámos era mesmo à filme. Miami não tem que enganar: vejam um episódio do CSI Miami e está tudo lá: as mansões, os carrões, os barcos, os arranha-céus, os edifícios art deco e as meninas e os musculados de patins. A água do mar era azul-turquesa e quente – tipo “banho-maria”. Depois da praia e de um fantástico pic-nic num parque de estacionamento (grandes tugas!) seguimos para as keys.
MC, RP


Muitos afirmam que a estrada que percorre as Keys é uma das mais bonitas do mundo, e olhem que são bem capazes de ter razão. É o tipo de percurso em que temos vontade de parar de 100 em 100 metros para tirar mais umas fotografias. Vale bem a pena perderem um bocadinho e espreitar no Google Earth, se bem que nem o Google nem nós conseguiremos passar a mensagem... é mesmo o tipo de coisa que só fazendo. As Keys são constituídas por cerca de 1700 ilhas (dizem eles porque não conseguimos visitar todas! J) e o percurso atravessa muitas delas o que já se adivinha que entre cada ponte teremos uma praia maravilhosa de água morninha para a banhoca. De Miami a Key West ainda são umas boas 4 horas de carro, e sabendo que parando em todas as praia ainda estaríamos por lá hoje, optámos por duas delas, talvez as mais mediáticas, a Sombrero Beach e a Bahia Honda a que apelidamos por “Quase Paraíso” e “Paraíso”. Escusado será de referir que ambas têm areia branca (com pedaços de corais ao longo do areal), água morninha, palmeiras (com e sem cocos), ninhos de tartaruga, pelicanos fora de água, e dentro de agua, peixes de várias cores e sempre que foi possível, um Rui uma Mafas um Mário e uma Tanya (pelo menos até a pele enrugar a ponto de sermos obrigados a sair). O dia terminou com a chegada ao Days Inn em Key West para um merecido descanso, afinal, amanhã era um grande dia!








terça-feira, agosto 19, 2008

Dia 3 Florence, SC – Savannah,GE - Dania Beach, FL

Com o Super 8 para trás deixamos Florence e rumámos a sul. Para que este não fosse mais um dia só a rolar, optámos por escolher um sítio simpático para almoçar. E que tal uma escapadela a Savannah? Lembrámo-nos do Francisco e da Adelaide que passaram por lá uns tempos e não pouparam elogios à cidade histórica de 1733 (http://www.savannahvisit.com). Como o tempo não era muito, começamos por ir ao visitor center e dai caminhámos pela zona histórica até ao City Market. Foi aqui que almoçamos uma especialidade local - uns fantásticos crab cakes (excepto o Mário que optou por não dar uma hipótese da sua alergia ao marisco) no Belfords (http://www.belfordssavannah.com). Depois para sobremesa fomos a uma loja cheia de rebuçado, chocolates, bombons e afins onde nos deram a experimentar caramel fudge acabadinho de fazer... Uma passeata nas redondezas e seguimos viagem até Dania Beach, já muito perto de Miami onde passamos a noite.

MC, RP





segunda-feira, agosto 18, 2008

Dia 2 Matawan, NJ – Florence, SC

New Jersey, Delaware, Maryland, Washington DC, Virginia, North Carolina, South Carolina, 7 estados em 10 horas de viagem. Este dia foi propositadamente sacrificado para rolar até Florence uma cidade localizada sensivelmente a meio da viagem até Miami. Partimos bem cedo o que até nem foi muito difícil graças aos horários trocados, parámos para almoçar num Kentucky Fried Chicken o qual a experiência nos marcou a ponto de não repetirmos a gracinha. A Tanya e a Mafas conseguiram passar as 10 horas a falar a ponto de umas delas ficar rouca e terminamos o dia em grande num Super 8 num quarto com restos de comida espalhados pelo chão. GOD BLESS AMERICA!
Pontos altos do dia: rever os amigos, longas conversas, a paisagem verde e exuberante.
Pontos baixos: o almoço, o jantar, o quarto, e vendo bem tudo o resto que não falamos acima, muitas horas de carro mas como lá diz o ditado, no pain, no gain!

RP, MC






USA em 15 dias!



Mas que férias!

Como desconfiava estiveram longe de ser um descanso, e ainda a recuperarmos do jet lag aqui vai um resumo da odisseia épica por terras americanas:

New York, New Jersey, Delaware, Maryland, Washington, Virginia, North Carolina, South Carolina, Georgia, Florida... and back!

Vou arriscar em nomear estas férias como um tributo à mobilidade, senão vejam:

Avião: 10 876 Km;
Automóvel: mais de 5 000 Km;
Comboio: 392 Km;
Metro: 20 Km
Barco: mais de 340Km;
Airboat: 6 Km
Andar: mais de 62 Km (Mafas, dava para ir a Tróia a pé!)
Nadar: 1.5 Km

A totalizar perto de 16700 Km! Que tal? ;)

Como imaginam são muitas as histórias e aventuras para contar que tentaremos colocar aqui no blogue ao longo dos próximos tempos. Vão passando...

Obviamente tudo isto não teria sido possível sem os nossos amigos que mesmo a mais de 5000 Km de distância, estão cá! Obrigado amigos!
http://doistugasnaamerica.blogspot.com/

RP, MC

domingo, fevereiro 17, 2008

Barca d'Alva - La Fregeneda

Apesar dos morcegos, ao contrário de que muita gente pensa, não hibernarem, parece que nós andamos hibernados nesta nossa rotina que nos vai consumindo todo o tempo. Apesar disso, não queriamos deixar passar a oportunidade de "a título" de parabéns, presentear a nossa amiga Tanya com um post no dia do trigésimo aniversário.


Este já andava na fornalha à uns meses, desde Maio de 2007, altura em que quatro aventureiros amigos concretizaram mais uma jornada épica, Barca d'Alva - La Fregeneda.





Conforme escrito na placa, não tentêm isto em casa, o caminho não está nas melhores condições e com um bocadinho de azar as coisas podem correr mal. Entre 20 túneis, 13 pontes e cerca de 17 km de linha férrea, desactivada desde 1985, tudo pode acontecer. O passeio de perto de seis horas (dependendo das vertigens e grau de confiança dos caminhantes) é absolutamente expectacular. O enquadramento arrebatador e a presença dos morcegos nas grutas tornaram esta experiência inigualável.







Foi uma passeio de emoções. Cada vez que terminavamos uma ponte a cair aos bocados, esperava-nos um túnel escuro sem fim à vista (o último tinha 1 km de escuro e montes de guano!).




Mas conseguimos superar os obstáculos e soubemos ter (algum...) bom-senso ao não atravessar uma ponte que não tinha mesmo bom ar.




No final deste passeio, estavamos tão rendidos à paisagem, à vegetação, às dobras e fendas nas rochas, que passamos a noite a pensar em formas de sobrevivermos em freixo de espada-à-cinta. Já tinhamos pensado num negócio, na casa (iamos ser viznhos), no número de filhos que iamos ter (iam ser muitos, sujos, ranhosos e despenteiados e iam andar na mesma escola). Estava tudo pensado. No entanto, estranhamente, no dia a seguir rimo-nos com estes planos e regressamos a casa já sem planos para viver no Freixo mas com vontade de regressar.




Bora amigos? Quando voltarem de NYC, vamos terminar a linha que nos falta fazer, compramos umas casinhas bem velhinhas, arranjamos um rebanho de qualquer coisa para levar a pastar e certamente que seremos... felizes para Sempre!


Ou então fazemos outra coisa qualquer desde que juntos e a dar boas gargalhadas. Parabéns Tanya! Um abraço Mário!


Rui e Mafas

sexta-feira, agosto 31, 2007

ALGARVE EM FAMÍLIA

Acabou-se Menorca mas não as férias! Ainda fomos para o Algarve uns diazinhos. Como temos casa em Olhão, pensámos que estes últimos dias de Agosto seriam passados no aconchego do lar mas…os primos Marta e Miguel decidiriam ir connosco. E lá se foi o sossego!




















A primeira tareia foi o Slide & Splash. Com o pretexto de quererem mostrar o S&S ao Rui, lá nos arrastaram e foi escorregar a tarde inteira! Não satisfeitos com a gracinha o que fizemos no dia seguinte? Um calmo dia de praia? Claro que não! Tudo para Sevilha à Isla Magica… aí sim, vi a vida a andar para trás, para os lados, cima-baixo, da esquerda para a direita, com muita água à mistura. Para terem uma ideia, só passeatas na motanha-russa foram 3, e isto porque o cérebro recusou ir uma quarta. E depois, para terminar em beleza, de regresso a Olhão demos um saltinho a Beja…há pois é…a sinalética em Espanha não é amiga… (opsss, acho que isto não era para dizer).

No final desta ida ao Algarve, fiquei com uma dúvida: como é que conseguimos ir um dia à praia, com tanto parque de diversões por conhecer nesse mundo?

Beijinhos Primos!
MC

MENORCA

A organização destas férias correu de forma bastante típica – não tínhamos nenhum destino pensado até 2 dias antes de irmos de férias e, na véspera, lá compramos 2 bilhetes de avião para Menorca. Mais nada. Só mesmo os bilhetes de avião. E se estão a pensar que é pouco inteligente comprar, apenas e só os bilhetes de avião para Menorca em pleno Agosto e não arranjar, p. ex., um sitio para dormir…têm toda a razão!


Arrancámos dia 7, com viagem de regresso marcada para 13 – o dia de anos do Pereira!

Quando chegámos a Menorca, demorámos uns bons 5 minutos a perceber que todos os parques de campismo, residências, hotéis e afins estavam esgotadíssimos. E tivemos essa informação pela senhora do posto de informações que estava a achar que éramos loucos e que o melhor que tínhamos a fazer era regressar a Barcelona e fingir que nunca tínhamos estado em Menorca.

Mas, como sempre, tivemos sorte. Havia um quarto (1 única noite) do lado oposto da ilha e arranjamos uma scooter para nos levar até lá.

O quarto era muito porreiro e descobrimos que apenas lá ficamos, graças a um erro informático – viva os bugs! – porque se tivéssemos que pagar o preço real daquele quartinho, bem que íamos ficar pelos bancos do aeroporto. Já a scooter… ainda durou uns bons 20 kms até começar a desatar a deitar óleo até não dar mais… voltamos para trás (é sempre fixe andar para trás e para a frente numa scooter toda partida com uma carrada de mochilas às costas) e trocamos por uma outra scooter que….adivinhem….também deitava óleo. Mas como deitava muito menos, ficamos com ela e passou a ser carinhosamente tratada por pinga-pinga.

Com um início destes, as férias só podiam ficar melhores. E ficaram! Lá conseguimos arranjar quarto (no circuito não oficial…) para os restantes dias e, como na primeira noite fomos parar a Ciutadela, ficámos por lá e foi o melhor que fizemos. Para nós, é a cidade mais bonita de Menorca, mesmo ao lado das praias mais paradisíacas onde já estivemos…elegemos a Turqueta, a Macarela e a Macareleta como as praias mais especiais. Não menos importante, a melhor gelataria do mundo também era em Ciutadela.













































No último dia estávamos deprimidos. Não tínhamos a menor vontade de vir embora e quebrar a rotina de acordar a horas decentes, ir comprar mantimentos para o dia ao supermercado do costume enquanto a pinga-pinga marcava os passeios, ir até à praia e passar o dia a fazer snorkeling alternando com umas sestas debaixo dos pinheiros que chegam mesmo até ao mar, sair da praia às 21h, jantar num sitio típico (comida italiana!) e, antes do regresso a “casa” e do passeio nocturno de scooter, ir comer um gelado à Sa`gelataria (figo, tofee, creme catalana, uuiiiiiii…).

Foi bom e recomendamos! E queremos lá voltar! Mas desta vez de barco para irmos a praias (ainda mais!) maravilhosas e não termos que procurar um sítio para dormir!

MC








segunda-feira, outubro 30, 2006

Polónia | Parte 4 | Cracóvia e Wieliczka

Alguém se sente de férias?

Ponto de situação: tinhamos acabado de subir o Gerlach e, além das recordações dessa ascensão, tinhamos dores infernais em todos os músculos das pernas. Objectivo: ir até Cracóvia de carrinho sem nos chateramos muito e descansar até ao final da viagem (em Cracóvia iriamos apanhar o avião de regresso a Lisboa). O que acabamos por fazer? Nada, mas absolutamente nada daquilo que tinhamos pensado...

Ora bem – vinhamos nós de carro a caminho de Cracóvia, invadidos pela nostalgia de deixar Zakopane, e achámos que ir visitar as minas de sal de Wieliczka era um programa simpático. E até era se considerarmos que vimos uma série de galerias das mais de 2000 existentes e várias capelas subterrâneas e 1 lindíssima catedral onde até o chão e candelabros eram feitos de sal. O problema é que há um elevador mas funciona apenas num sentido... por isso descemos 135m de profundidade talhada num infinito número de degraus e em cada um meus amigos...doiam todos os músculos das pernas (até aqueles que nós desconheciamos que tinhamos). Lá se foi o descanso planeado e desejado. Mas não nos arrependemos. Foi realmente uma visita inesquecivel. Já de caminho a Cracóvia acreditámos que era desta! Iriamos finalmente descansar! Mas não foi possivel.

Cracóvia é uma cidade cheia de pequenas preciosidades, desde igrejas lindíssimas, esplandas acolhedores e lojas de gelados que nos fizeram percorrer mais uns quantos quilómetros a pé por terras polacas. E ainda bem. Porque todas as experiências que passámos fizeram da Polónia o que nós não desconfiávamos de início... um destino de sonho.


MC

P.S. Para os mais interessados podem obter informações das minas de sal “Wieliczka” em http://www.kopalnia.pl/ (património mundial)

Polónia | Parte 3 | Zakopane e o Gerlach!

Gerlachovský - No pain No game!

Meus amigos, isto foi de longe a coisa mais difícil que fizemos na vida. Só dois portugueses, tão inocentes como inconscientes é que se poderiam ver a braços com tamanha façanha.

O Gerlachovský ou Gerlach para os mais chegados é o cume mais alto dos montes Tatra (que tem tudo a ver com a conhecida marca de camiões). O seu cume fica a uma altitude de 2655m e a vista do topo é arrebatadora, agora, tudo o resto é puro sofrimento!

Deixámos Varsóvia rumo ao sul, na direcção dos montes Tatra. Uns dias antes o Rui tinha visto na internet que poderia ser engraçado subir uma montanha na Polónia. (esta é a parte inocente). Como a Mafas não tem mais juízo do que o Rui achou a ideia fantástica! (isto ainda é inocente). Admito que achei estranho não ver muita informação sobre a montanha na Net, o que me levou a efectuar alguns telefonemas em Polaco-inglês para obter mais informações. Ou o meu polaco é muito mau ou o inglês deles é péssimo, o certo é que fiquei com a ideia de que a subida ao Gerlach seria bastante fácil. (aqui já alguma mistura de inocente com o tipo que acredita em tudo que lhe dizem).

Chegámos a Zakopane passados 400km e 7 horas de pura condução já que auto-estradas, nem vê-las! Zakopane foi talvez dos sítios mais espectaculares que vimos em toda a Polónia, foi de longe a maior surpresa. É o coração do turismo de Inverno Polaco e mesmo de verão são às centenas os inúmeros visitantes que passam despercebidos perante tamanha beleza. É uma pequena cidade tirada de um conto de encantar, de casinhas em madeira, ribeiros a correr e com um fundo de montanhas do tipo “Heidi e Pedro”. Vale a pena a visitar!

De qualquer modo foi em Zakopane que nos encontrámos com o nosso guia (ah pois é! – para subir o Gerlach é OBRIGATÓRIO guia credenciado). O despertar estava previsto para as 4.30 da manhã, mas por sorte, o S. Pedro local ajudou e as excelentes condições meteorológicas adiaram a alvorada para as 6.00. Fomos de carro até à Eslováquia e dai apanhámos o bus de montanha (entenda-se, Land Rover Defender) até ao refugio de Sliezsky que fica a 1667m. Já no refúgio efectuamos o registo para a subida com o pagamento do respectivo seguro, mais uma vez, obrigatório (aqui não se brinca e mais à frente vão perceber porquê!). O refúgio estava praticamente vazio, algumas equipas já tinham saído mais cedo e nós estávamos prestes a começar. Éramos cinco, a Mafas, eu, um polaco, um eslovaco e o guia Ryszard Gajewski - um zakopanense impecável que já fez muita montanha e alguns oito mil, que lhe levaram as pontas de alguns dedos das mãos e lhe ofereceram a possibilidade de usar um calçado uns números abaixo (se é que me faço entender!)

Partimos do refúgio às 8.30h ao longo de um vale glaciar espectacular e passados apenas 30 minutos de caminhada parámos na base de uma parede rochosa. Uns minutos antes tínhamos abandonado o trilho principal altura em que o nosso guia disse - vamos por um atalho! (medo!) Senti nesta primeira meia hora de caminhada que o guia esteve constantemente a testar a equipa, não só pelas perguntas que ia fazendo como pelo próprio ritmo elevado que impôs desde o início. Na base da parede vestimos os arneses, colocámos os capacetes e ele rapidamente organizou uma cordada (de salientar que tanto eu como a Mafas estávamos longe de saber que isto ia acontecer). Tentei tranquilizar a Mafas ao dizer-lhe que deveria ser apenas uma passagem mais técnica que seria por pouco tempo (inocente!). O pouco tempo durou mais de cinco horas encordados por um trilho que não existia subindo e descendo centenas de blocos de um imenso deserto rochoso. A subida foi muito dura, não tanto pelo grau técnico da escalada mas pelo ritmo elevado de caminhada com poucas paragens, de tal modo que em apenas 3:20m estávamos a chegar ao topo do Gerlach, depois de passarmos pelo Kvetnicová veža a 2433m, pelo Certova veža e pelo Kotlový štít ambos a 2601m!

2655m! Pode não parecer mas foi uma verdadeira vitória e a vista era simplesmente arrebatadora. Na subida passamos por três cordadas, estando uma delas parada devido a um acidente que não assistimos. A verdade é que a coisa foi grave e mais tarde viemos a saber que se tratou de uma queda em grupo ao longo de uma cascalheira. Em alguns minutos ouvimos o motor do helicóptero da equipa de resgate que confirmou a existência de feridos. Foi um espectáculo único observar a destreza com que o piloto colocou o aparelho a escassos metros da escarpa e do modo como toda a operação foi executada.
Com o resgate ainda a decorrer iniciamos a nossa descida. Mais uma vez foi crucial termos guia, porque, devido à natureza da montanha não existem trilhos marcados, pelo que a descida foi mais lenta e altamente técnica. Todo o cuidado era pouco pois estavam quatro cordadas a descer em simultâneo ao longo de uma interminável cascalheira de blocos que iam do tamanho de um berlinde a uma carrinha de mercadorias! A juntar à festa adicionamos à nossa cordada um eslovaco-polaco, um dos ilesos da equipa acidentada, que precisava de um grupo para completar a descida. Mais tarde viemos a saber que a equipa acidentada não estava autorizada para estar na montanha, pois não tinham guia nem seguros activos contra acidentes o que valeu aos tipos um valente raspanete em polaco (nem imagino os outros amigos que foram resgatados de helicóptero!)

Posto isto, prosseguimos descida com o quinto elemento, ao longo de cascalheiras e muitos ressaltos com degraus metálicos que faziam lembram as vias ferratas (mas sem as linha de vida e espaçados de 2 em 2 metros!)
A descida durou aproximadamente duas horas e no final tivemos direito a um abraço, um grande aperto de mão, umas palmadinhas no ombro e de uns sinceros parabéns! Nesse momento respirei de alívio, olhei para trás e acho que descomprimi da tensão e concentração da descida. Atrás de mim estava uma escarpa colossal e fui obrigado a questionar-me – descemos aquilo?
Tal como a subida a descida não foi fácil, não tanto pelo grau técnico, que também possuía, mas essencialmente pela concentração constante em não tropeçar, escorregar e cair no abismo com o resto dos companheiros de cordada.

Fiquei uns minutos a observar o que tínhamos feito de tal forma que abstrai-me de onde estava. A verdade é que estávamos no sopé da montanha oposto ao refúgio, a duas longas horas de caminhada por trilhos de blocos de granito. Esta foi para mim a pior parte, já tinha subido, descido e respirado fundo e não estava preparado para mais uma caminhada, na verdade estava exausto! Foram duas horas em piloto automático sem sentir as pernas a ver a Mafas à minha frente em semelhantes condições a pontapear todos os calhaus que não se desviavam dos pés dela!

Chegamos ao refúgio às 15:30, 7 horas e 988 metros de desnível depois. Estava um trapo, um trapo feliz. Feliz por termos conseguido, mas acima de tudo orgulhoso pelo desempenho da Mafas. Superou todos os obstáculos sem hesitar, com garra e força que a todos deixou admirados. Foi a verdadeira heroína do dia, o que leva a crer que está pronta para o próximo desafio – resta saber se a consigo acompanhar!

Resta ainda dizer que no dia seguinte saímos da cama a rastejar numa viagem até ao duche que mais parecia a ascensão do Evereste! Ossos do ofício!


RP
P.S. Para os mais curiosos, este é o Tatra do brasileiro André Azevedo! Mais informações sobre a marca em http://www.tatraworld.nl