segunda-feira, junho 23, 2008

O Amor anda no Ar!



O amor anda no Ar, literalmente. Como andamos sem grande tempo para blogar aqui ficam umas fotos tiradas no Aero-Nostalgia que decorreu na Base Aérea Nº. 1 em Sintra. A contagem decrescente para as férias está a terminar!... A título de previsão, desconfio que vão ser mais umas férias sem descanso... desconfio! ;)

RP




O Amor anda no Ar, literalmente

segunda-feira, março 10, 2008

1ª Navegação Solo



Já andava para colocar este post há algum tempo. A primeira navegação visual sozinho foi em Novembro passado e foi fantástico! Por um lado, não temos ninguém ao lado a corrigir constantemente os nossos erros mas por outro, vamos o voo inteiro a olhar para os mostradores do motor e esperar que não acenda nenhuma luzinha vermelha!

O viagem foi para sul, até Évora com regresso por Grândola e Troia. Muito bom!

RP










Pequeno almoço com uma Nyctalus leisleri



Ontem acordei bem cedo, a Mafas ficou a dormir, estava escuro, fui até à cozinha tomar o pequeno almoço meio ensonado, quando.... qual filme do Indiana Jones.... senti uma presença na cozinha para além da minha. O chão da cozinha parecia movimentar-se!? Estaria bem? Seria ainda um sonho? Estaria sobre o efeito do álcool? Mas eu não bebo!!
Pequenas sombras percorriam os gélidos ladrilhos cerâmicos arrefecidos pela noite! Contive a respiração, caminhei trémulo na direcção do interruptor, passo a passo sentia algo que me perseguia. Num pulo lancei o interruptor, a luz acendeu e.... que raio!
O chão estava coberto por vermes rastejantes pretos e cremes, uns com muitas patas, outros com menos, uns de barriga para baixo, outros a correr imóveis de barriga para cima, uns a rastejar pelos bancos, outros enrolados em si mesmos.
Humm... que belo cenário bucólico-matinal. Tanta natureza animal no chão da minha cozinha! Quanta vida! (Isto dando de barato a caixa de cartão gigante em cima da bancada da cozinha com uma morcega deficiente lá dentro!)

Perante este cenário restavam duas soluções: Apagava a luz, regressava à cama, voltava a adormecer e garantia ser o ultimo a levantar-me nesse dia....ou...pacientemente, debruçava-me sobre os seres adoráveis, apanharia-os um a um de volta à sua caixa de vermes personalizada enquanto “feliz” pensava em silencio: - Eu sou o GAJO MAIS PACIENTE QUE CONHEÇO!

RP

P.S. Esta história tem um enquadramento legal a apoiá-la. É expressamente proibido capturar morcegos para animais de estimação! No decorrer deste episódio não foram mal-tratados, magoados ou mutilados quaisquer vermes, parasitas ou rastejantes... apenas o meu ego!

domingo, fevereiro 17, 2008

Barca d'Alva - La Fregeneda

Apesar dos morcegos, ao contrário de que muita gente pensa, não hibernarem, parece que nós andamos hibernados nesta nossa rotina que nos vai consumindo todo o tempo. Apesar disso, não queriamos deixar passar a oportunidade de "a título" de parabéns, presentear a nossa amiga Tanya com um post no dia do trigésimo aniversário.


Este já andava na fornalha à uns meses, desde Maio de 2007, altura em que quatro aventureiros amigos concretizaram mais uma jornada épica, Barca d'Alva - La Fregeneda.





Conforme escrito na placa, não tentêm isto em casa, o caminho não está nas melhores condições e com um bocadinho de azar as coisas podem correr mal. Entre 20 túneis, 13 pontes e cerca de 17 km de linha férrea, desactivada desde 1985, tudo pode acontecer. O passeio de perto de seis horas (dependendo das vertigens e grau de confiança dos caminhantes) é absolutamente expectacular. O enquadramento arrebatador e a presença dos morcegos nas grutas tornaram esta experiência inigualável.







Foi uma passeio de emoções. Cada vez que terminavamos uma ponte a cair aos bocados, esperava-nos um túnel escuro sem fim à vista (o último tinha 1 km de escuro e montes de guano!).




Mas conseguimos superar os obstáculos e soubemos ter (algum...) bom-senso ao não atravessar uma ponte que não tinha mesmo bom ar.




No final deste passeio, estavamos tão rendidos à paisagem, à vegetação, às dobras e fendas nas rochas, que passamos a noite a pensar em formas de sobrevivermos em freixo de espada-à-cinta. Já tinhamos pensado num negócio, na casa (iamos ser viznhos), no número de filhos que iamos ter (iam ser muitos, sujos, ranhosos e despenteiados e iam andar na mesma escola). Estava tudo pensado. No entanto, estranhamente, no dia a seguir rimo-nos com estes planos e regressamos a casa já sem planos para viver no Freixo mas com vontade de regressar.




Bora amigos? Quando voltarem de NYC, vamos terminar a linha que nos falta fazer, compramos umas casinhas bem velhinhas, arranjamos um rebanho de qualquer coisa para levar a pastar e certamente que seremos... felizes para Sempre!


Ou então fazemos outra coisa qualquer desde que juntos e a dar boas gargalhadas. Parabéns Tanya! Um abraço Mário!


Rui e Mafas

quarta-feira, outubro 24, 2007

18.OUTUBRO.07 - 18:50


















Se para alguns isto faz algum sentido para outros menos informados não faz sentido nenhum. Mesmo para mim, só agora é que a coisa vai fazendo algum sentido... Bom, para quem ainda não sabe, faz agora 6 meses que decidi voltar a estudar. Deixei de lado a ideia do mestrado e abracei a ideia de vir a ser piloto. Só espero ter braços do tamanho deste novo objectivo a que me proponho. São perto de dois anos de curso com uma intensidade e carga que não consigo descrever em palavras. O facto é que já lá vão 6 meses e no passado dia 18 de Outubro cumpri um importante objectivo na carreira de um piloto. Fui “largado” ou seja, voei pela primeira vez, sozinho! O passeio foi curtinho mas valeu bem pena, e à chegada tinha a Mafas e uma mão cheia de novos amigos para uma calorosa recepção. Como é da praxe tive direito a uns calduços, pontapés e a respectiva banhoca! Aqui fica, para mais tarde recordar!

RP











sexta-feira, agosto 31, 2007

ALGARVE EM FAMÍLIA

Acabou-se Menorca mas não as férias! Ainda fomos para o Algarve uns diazinhos. Como temos casa em Olhão, pensámos que estes últimos dias de Agosto seriam passados no aconchego do lar mas…os primos Marta e Miguel decidiriam ir connosco. E lá se foi o sossego!




















A primeira tareia foi o Slide & Splash. Com o pretexto de quererem mostrar o S&S ao Rui, lá nos arrastaram e foi escorregar a tarde inteira! Não satisfeitos com a gracinha o que fizemos no dia seguinte? Um calmo dia de praia? Claro que não! Tudo para Sevilha à Isla Magica… aí sim, vi a vida a andar para trás, para os lados, cima-baixo, da esquerda para a direita, com muita água à mistura. Para terem uma ideia, só passeatas na motanha-russa foram 3, e isto porque o cérebro recusou ir uma quarta. E depois, para terminar em beleza, de regresso a Olhão demos um saltinho a Beja…há pois é…a sinalética em Espanha não é amiga… (opsss, acho que isto não era para dizer).

No final desta ida ao Algarve, fiquei com uma dúvida: como é que conseguimos ir um dia à praia, com tanto parque de diversões por conhecer nesse mundo?

Beijinhos Primos!
MC

MENORCA

A organização destas férias correu de forma bastante típica – não tínhamos nenhum destino pensado até 2 dias antes de irmos de férias e, na véspera, lá compramos 2 bilhetes de avião para Menorca. Mais nada. Só mesmo os bilhetes de avião. E se estão a pensar que é pouco inteligente comprar, apenas e só os bilhetes de avião para Menorca em pleno Agosto e não arranjar, p. ex., um sitio para dormir…têm toda a razão!


Arrancámos dia 7, com viagem de regresso marcada para 13 – o dia de anos do Pereira!

Quando chegámos a Menorca, demorámos uns bons 5 minutos a perceber que todos os parques de campismo, residências, hotéis e afins estavam esgotadíssimos. E tivemos essa informação pela senhora do posto de informações que estava a achar que éramos loucos e que o melhor que tínhamos a fazer era regressar a Barcelona e fingir que nunca tínhamos estado em Menorca.

Mas, como sempre, tivemos sorte. Havia um quarto (1 única noite) do lado oposto da ilha e arranjamos uma scooter para nos levar até lá.

O quarto era muito porreiro e descobrimos que apenas lá ficamos, graças a um erro informático – viva os bugs! – porque se tivéssemos que pagar o preço real daquele quartinho, bem que íamos ficar pelos bancos do aeroporto. Já a scooter… ainda durou uns bons 20 kms até começar a desatar a deitar óleo até não dar mais… voltamos para trás (é sempre fixe andar para trás e para a frente numa scooter toda partida com uma carrada de mochilas às costas) e trocamos por uma outra scooter que….adivinhem….também deitava óleo. Mas como deitava muito menos, ficamos com ela e passou a ser carinhosamente tratada por pinga-pinga.

Com um início destes, as férias só podiam ficar melhores. E ficaram! Lá conseguimos arranjar quarto (no circuito não oficial…) para os restantes dias e, como na primeira noite fomos parar a Ciutadela, ficámos por lá e foi o melhor que fizemos. Para nós, é a cidade mais bonita de Menorca, mesmo ao lado das praias mais paradisíacas onde já estivemos…elegemos a Turqueta, a Macarela e a Macareleta como as praias mais especiais. Não menos importante, a melhor gelataria do mundo também era em Ciutadela.













































No último dia estávamos deprimidos. Não tínhamos a menor vontade de vir embora e quebrar a rotina de acordar a horas decentes, ir comprar mantimentos para o dia ao supermercado do costume enquanto a pinga-pinga marcava os passeios, ir até à praia e passar o dia a fazer snorkeling alternando com umas sestas debaixo dos pinheiros que chegam mesmo até ao mar, sair da praia às 21h, jantar num sitio típico (comida italiana!) e, antes do regresso a “casa” e do passeio nocturno de scooter, ir comer um gelado à Sa`gelataria (figo, tofee, creme catalana, uuiiiiiii…).

Foi bom e recomendamos! E queremos lá voltar! Mas desta vez de barco para irmos a praias (ainda mais!) maravilhosas e não termos que procurar um sítio para dormir!

MC








domingo, junho 03, 2007

TROSA'S

Faz agora 3 anos que fizemos o Tróia-Sagres em bicicleta. Na prática foi “Tróia-Sagres-Cabo de São Vicente-Lagos” porque não resistimos a ir espreitar São Vicente e o comboio esperáva-nos em Lagos para o regresso.




















Como tínhamos o carro em Setúbal, o regresso foi inesquecível – na noite em que chegámos, o Vitória de Setúbal tinha ganho a taça de Portugal ao Benfica e os Setubalenses estavam em grande! E enquanto em Setúbal se gritava pelas ruas “VITÓRIA” nós também nos sentíamos algo vitoriosos pelo nosso feito.

Foram 4 dias fabulosos passados entre 4 amigos.




















A parte da qual tenho mais saudades, era sentir o cheiro do mar uns quantos quilómetros antes de o vermos. Do que não tenho saudades nenhumas, foi da sugestão da Tanya em irmos “espreitar” o cabo Sardão o que implicou um desvio de dolorosos quilómetros não-previstos e das aplicações noturnas de Halibut!




















Para os mais aventureiros aqui fica um balanço da viagem:

4 dias num total de 272Km em 17 horas de pedaladas numa média de 17 Km/h.
Dia 1 – Troia a Porto Côvo (84Km),
Dia 2 – Porto Côvo a Odeceixe (76Km),
Dia 3 – Odeceixe a Sagres (63Km) e por fim,
Dia 4 – Sagres a Lagos (48Km).

Alguns conselhos: não tentem fazer isto com o selim desportivo, e levem bastante Halibut! Vá se lá saber porquê!

MC, RP




terça-feira, março 27, 2007

And the winner is...

... Rui Pereira. O que foi obviamente uma grande surpresa!

Obrigado a todos que de uma maneira ou de outra se envolveram neste projecto e um agradecimento especial ao João Palma do erro! pela música presente na animação.

RP



domingo, março 25, 2007

To Enrico and Angelika

Este nosso post vai ser em inglês uma vez que é dedicado aos nossos amigos alemães Enrico e Angelika
This next post will be in English since is dedicated to our German friends Enrico and Angelika

Our 2005/2006 new years eve was really different from all we have planned – our intention was to go surfing in Alentejo but our plans have changed. The reason? Work, as usual!

So, in 30th December 2005 we went to Mértola do install a CTD in Guadiana river. In this first day, we work and went to sleep in a beautiful “pensão” with an amazing view over Guadiana.



In the next day, while our friends were looking for the best waves, there we were near a river – nice but no waves at all! When doing our work, we meet George – an American living in Mértola that went to Alentejo by crossing the Atlantic… sallying! We were amazed with is story (live and trip) and we spend some time talking. In the end, George asked us “How about join me and some friends for dinner?” “Ok!” Around 7 p.m. we meet George, his girlfriend, Fernando, Enrico and Angelika. We had the nicest dinner and in the end, we sing “Happy Birthday” to “baby” Angelika in English, German and Portuguese! A totally different new years eve! During dinner, we found out that Enrico and Angelika also went to Mértola by boat and, in the last moths, they live in the boat! Definitely romantic… but cold!


In January the 1st, we came back to Sintra but we still went to Mértola a couple of times do download the data from de CTD. Every time we went there, we always tried to find our new friends!

At this moment, neither George, Enrico and Angelika are in Mértola. Everybody went home… still we keep in touch with Enrico and Angelika by e-mail and lucky Rui already have spoken with Angelika at the phone in this last Christmas!


It´s nice to have friends that, even far away, find out a way to keep in touch!

For all of you that don´t kwon Mértola...you have no ideia what you are missing.


MC + RP


Pictures:
From Georges balcony
The tower watch that Enrico and Angelika fix and, after that, ding-dong every single hour! Thank you!
View to south over Mértola

segunda-feira, março 12, 2007

Sintra! Voltinha do costume...

Quando os meus neurónios pedem descanso, algo que ultimamente é para aí...a cada 5 minutos... não consigo pensar em nada melhor do que fazer algo tão fisicamente esgotante que nem tenha tempo para pensar.

Por isso, no sábado lá fomos “dar um saltinho à serra”. Ligámos aos tótós – que aceitaram o “passeio” – e lá fomos nós. Começámos no Lourel e terminámos no Lourel – à pois é... o teletransporte ainda não está patenteado. E não fossemos ficar “4 amigos-mosca” viemos a andar até ao lar-doce-lar. Não sem antes andarmos 4 horinhas não sei bem por onde.... MC


A primavera veio em força e enquanto meio Portugal rumava para a praia, o gang preferiu o verde calmo da serra. O percurso foi o do costume, Lourel, S. Pedro de Sintra, Castelo dos Mouros, Vila de Sintra e finalmente o regresso a casa. O dia esteve simplesmente maravilhoso, caminhámos horas, grande parte do tempo sem vermos ninguém. Sintra é assim, e que bom que é!


Escusado dizer que quatro horas a andar em trilhos sinuosos na serra não dão grande descanso ao corpo, agora a alma, fresquinha, fresquinha. Um conselho à tripulação... aproveitem a serra! Está aqui tão perto. No final acabamos por deitar abaixo uns belos dos travesseiros da piriquita, a título de troféu, (a uns chocantes 1,10Euros cada)... RP







P.S. o que valeu aos travesseiros é que, como bons Sintrenses, a entrada não “convencional” no Castelo foi gratuita! (se é que me faço entender)

P.S.1. estes são os tótós!

domingo, janeiro 14, 2007

De Volta...

O post que se segue é uma das razões de termos desaparecido do nosso blog por uns tempos. O rui andou a fazer umas noitadas a trabalhar neste concurso. Eu? Eu dormia no sofá... :)
MC

Concurso Grant´s e Arquitectura & Vida

sábado, janeiro 13, 2007

GORRO! não!...nãão! NÃÃÃOOO!


O Gorro é o mais recente elemento da família Carapuço e foi um misto de presente de aniversário e Natal para os pais da Mafas. É um Retriever do Labrador e nasceu no dia 29 de Outubro de 2006.

Depois de algumas semanas de preparativos fomos finalmente até ao Cadaval buscar o tão esperado presente. O Cadaval é uma povoação na região Oeste perto do Bombarral e o Gorro é um dos seis cachorros de uma bonita ninhada de Labradores.

Talvez pelo adiantado da hora, a viagem até Sintra correu bastante bem, apesar de tempos a tempos ouvir pequenos gritos de dor vindos do banco de trás. Os gritos eram da Mafas e a dor também, queixando-se que tinha sido mordida. Obviamente um exagero, comentei, um cachorro com poucas semanas não pode morder assim, ele nem sequer tem os dentes definitivos!

Ai pode, pode!

O canídio é um autêntico terrorista! Os períodos em que está acordado, que começam a ser cada vez maiores, são ocupados na busca constante por mãos e dedos. Morde com o ar mais satisfeito do mundo, aliás, atrevo-me a dizer que ele não morde, ele trinca, mastiga, só não engole. Isto a julgar pelo estado miserável em que se encontram as mãos dos restantes familiares.

A todos aqueles que ingénuos como eu, associavam os Labradores ao cachorrinho doce e meiginho do anúncio televisivo da Scotex, deixem que vos diga: É MENTIRA!
É frequente, num serão normal, ouvirmos expressões como: Não! Está quieto! Ai! Larga, gorro, LARGA! Deixa o Sofá! Na arvoré de NATAL NÃO! Está aqui um xixi!
Para quem tem doses de paciência de sobra, o Labrador é uma boa opção já que é capaz de ser dos cães mais fotogénicos e engraçados, sobretudo nesta idade. Promete vir a ser um grande amigo! Até lá, aguardamos ansiosamente a chegada da terceira vacina para finalmente o colocar na RUA! Já ninguém o aguenta dentro de casa... :)
RP

segunda-feira, outubro 30, 2006

Polónia | Parte 4 | Cracóvia e Wieliczka

Alguém se sente de férias?

Ponto de situação: tinhamos acabado de subir o Gerlach e, além das recordações dessa ascensão, tinhamos dores infernais em todos os músculos das pernas. Objectivo: ir até Cracóvia de carrinho sem nos chateramos muito e descansar até ao final da viagem (em Cracóvia iriamos apanhar o avião de regresso a Lisboa). O que acabamos por fazer? Nada, mas absolutamente nada daquilo que tinhamos pensado...

Ora bem – vinhamos nós de carro a caminho de Cracóvia, invadidos pela nostalgia de deixar Zakopane, e achámos que ir visitar as minas de sal de Wieliczka era um programa simpático. E até era se considerarmos que vimos uma série de galerias das mais de 2000 existentes e várias capelas subterrâneas e 1 lindíssima catedral onde até o chão e candelabros eram feitos de sal. O problema é que há um elevador mas funciona apenas num sentido... por isso descemos 135m de profundidade talhada num infinito número de degraus e em cada um meus amigos...doiam todos os músculos das pernas (até aqueles que nós desconheciamos que tinhamos). Lá se foi o descanso planeado e desejado. Mas não nos arrependemos. Foi realmente uma visita inesquecivel. Já de caminho a Cracóvia acreditámos que era desta! Iriamos finalmente descansar! Mas não foi possivel.

Cracóvia é uma cidade cheia de pequenas preciosidades, desde igrejas lindíssimas, esplandas acolhedores e lojas de gelados que nos fizeram percorrer mais uns quantos quilómetros a pé por terras polacas. E ainda bem. Porque todas as experiências que passámos fizeram da Polónia o que nós não desconfiávamos de início... um destino de sonho.


MC

P.S. Para os mais interessados podem obter informações das minas de sal “Wieliczka” em http://www.kopalnia.pl/ (património mundial)

Polónia | Parte 3 | Zakopane e o Gerlach!

Gerlachovský - No pain No game!

Meus amigos, isto foi de longe a coisa mais difícil que fizemos na vida. Só dois portugueses, tão inocentes como inconscientes é que se poderiam ver a braços com tamanha façanha.

O Gerlachovský ou Gerlach para os mais chegados é o cume mais alto dos montes Tatra (que tem tudo a ver com a conhecida marca de camiões). O seu cume fica a uma altitude de 2655m e a vista do topo é arrebatadora, agora, tudo o resto é puro sofrimento!

Deixámos Varsóvia rumo ao sul, na direcção dos montes Tatra. Uns dias antes o Rui tinha visto na internet que poderia ser engraçado subir uma montanha na Polónia. (esta é a parte inocente). Como a Mafas não tem mais juízo do que o Rui achou a ideia fantástica! (isto ainda é inocente). Admito que achei estranho não ver muita informação sobre a montanha na Net, o que me levou a efectuar alguns telefonemas em Polaco-inglês para obter mais informações. Ou o meu polaco é muito mau ou o inglês deles é péssimo, o certo é que fiquei com a ideia de que a subida ao Gerlach seria bastante fácil. (aqui já alguma mistura de inocente com o tipo que acredita em tudo que lhe dizem).

Chegámos a Zakopane passados 400km e 7 horas de pura condução já que auto-estradas, nem vê-las! Zakopane foi talvez dos sítios mais espectaculares que vimos em toda a Polónia, foi de longe a maior surpresa. É o coração do turismo de Inverno Polaco e mesmo de verão são às centenas os inúmeros visitantes que passam despercebidos perante tamanha beleza. É uma pequena cidade tirada de um conto de encantar, de casinhas em madeira, ribeiros a correr e com um fundo de montanhas do tipo “Heidi e Pedro”. Vale a pena a visitar!

De qualquer modo foi em Zakopane que nos encontrámos com o nosso guia (ah pois é! – para subir o Gerlach é OBRIGATÓRIO guia credenciado). O despertar estava previsto para as 4.30 da manhã, mas por sorte, o S. Pedro local ajudou e as excelentes condições meteorológicas adiaram a alvorada para as 6.00. Fomos de carro até à Eslováquia e dai apanhámos o bus de montanha (entenda-se, Land Rover Defender) até ao refugio de Sliezsky que fica a 1667m. Já no refúgio efectuamos o registo para a subida com o pagamento do respectivo seguro, mais uma vez, obrigatório (aqui não se brinca e mais à frente vão perceber porquê!). O refúgio estava praticamente vazio, algumas equipas já tinham saído mais cedo e nós estávamos prestes a começar. Éramos cinco, a Mafas, eu, um polaco, um eslovaco e o guia Ryszard Gajewski - um zakopanense impecável que já fez muita montanha e alguns oito mil, que lhe levaram as pontas de alguns dedos das mãos e lhe ofereceram a possibilidade de usar um calçado uns números abaixo (se é que me faço entender!)

Partimos do refúgio às 8.30h ao longo de um vale glaciar espectacular e passados apenas 30 minutos de caminhada parámos na base de uma parede rochosa. Uns minutos antes tínhamos abandonado o trilho principal altura em que o nosso guia disse - vamos por um atalho! (medo!) Senti nesta primeira meia hora de caminhada que o guia esteve constantemente a testar a equipa, não só pelas perguntas que ia fazendo como pelo próprio ritmo elevado que impôs desde o início. Na base da parede vestimos os arneses, colocámos os capacetes e ele rapidamente organizou uma cordada (de salientar que tanto eu como a Mafas estávamos longe de saber que isto ia acontecer). Tentei tranquilizar a Mafas ao dizer-lhe que deveria ser apenas uma passagem mais técnica que seria por pouco tempo (inocente!). O pouco tempo durou mais de cinco horas encordados por um trilho que não existia subindo e descendo centenas de blocos de um imenso deserto rochoso. A subida foi muito dura, não tanto pelo grau técnico da escalada mas pelo ritmo elevado de caminhada com poucas paragens, de tal modo que em apenas 3:20m estávamos a chegar ao topo do Gerlach, depois de passarmos pelo Kvetnicová veža a 2433m, pelo Certova veža e pelo Kotlový štít ambos a 2601m!

2655m! Pode não parecer mas foi uma verdadeira vitória e a vista era simplesmente arrebatadora. Na subida passamos por três cordadas, estando uma delas parada devido a um acidente que não assistimos. A verdade é que a coisa foi grave e mais tarde viemos a saber que se tratou de uma queda em grupo ao longo de uma cascalheira. Em alguns minutos ouvimos o motor do helicóptero da equipa de resgate que confirmou a existência de feridos. Foi um espectáculo único observar a destreza com que o piloto colocou o aparelho a escassos metros da escarpa e do modo como toda a operação foi executada.
Com o resgate ainda a decorrer iniciamos a nossa descida. Mais uma vez foi crucial termos guia, porque, devido à natureza da montanha não existem trilhos marcados, pelo que a descida foi mais lenta e altamente técnica. Todo o cuidado era pouco pois estavam quatro cordadas a descer em simultâneo ao longo de uma interminável cascalheira de blocos que iam do tamanho de um berlinde a uma carrinha de mercadorias! A juntar à festa adicionamos à nossa cordada um eslovaco-polaco, um dos ilesos da equipa acidentada, que precisava de um grupo para completar a descida. Mais tarde viemos a saber que a equipa acidentada não estava autorizada para estar na montanha, pois não tinham guia nem seguros activos contra acidentes o que valeu aos tipos um valente raspanete em polaco (nem imagino os outros amigos que foram resgatados de helicóptero!)

Posto isto, prosseguimos descida com o quinto elemento, ao longo de cascalheiras e muitos ressaltos com degraus metálicos que faziam lembram as vias ferratas (mas sem as linha de vida e espaçados de 2 em 2 metros!)
A descida durou aproximadamente duas horas e no final tivemos direito a um abraço, um grande aperto de mão, umas palmadinhas no ombro e de uns sinceros parabéns! Nesse momento respirei de alívio, olhei para trás e acho que descomprimi da tensão e concentração da descida. Atrás de mim estava uma escarpa colossal e fui obrigado a questionar-me – descemos aquilo?
Tal como a subida a descida não foi fácil, não tanto pelo grau técnico, que também possuía, mas essencialmente pela concentração constante em não tropeçar, escorregar e cair no abismo com o resto dos companheiros de cordada.

Fiquei uns minutos a observar o que tínhamos feito de tal forma que abstrai-me de onde estava. A verdade é que estávamos no sopé da montanha oposto ao refúgio, a duas longas horas de caminhada por trilhos de blocos de granito. Esta foi para mim a pior parte, já tinha subido, descido e respirado fundo e não estava preparado para mais uma caminhada, na verdade estava exausto! Foram duas horas em piloto automático sem sentir as pernas a ver a Mafas à minha frente em semelhantes condições a pontapear todos os calhaus que não se desviavam dos pés dela!

Chegamos ao refúgio às 15:30, 7 horas e 988 metros de desnível depois. Estava um trapo, um trapo feliz. Feliz por termos conseguido, mas acima de tudo orgulhoso pelo desempenho da Mafas. Superou todos os obstáculos sem hesitar, com garra e força que a todos deixou admirados. Foi a verdadeira heroína do dia, o que leva a crer que está pronta para o próximo desafio – resta saber se a consigo acompanhar!

Resta ainda dizer que no dia seguinte saímos da cama a rastejar numa viagem até ao duche que mais parecia a ascensão do Evereste! Ossos do ofício!


RP
P.S. Para os mais curiosos, este é o Tatra do brasileiro André Azevedo! Mais informações sobre a marca em http://www.tatraworld.nl